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Eu Quero Você, Papai!

Esta mensagem apareceu recentemente no blog da Editora Betânia e eu por um acaso o encontrei  quando dava uma última olhada no Facebook antes de dormir depois de meia-noite. Para minha surpresa vi um artigo que escrevi para a revista Mensagem da Cruz em 1977. Quase não acreditei, mas fiz a leitura com nó na garganta. Ah que saudade do meu filho de seis anos de idade que agora está com quarenta e três! Imagina minha idade então. Apesar de ser uma reflexão simples que tocou meus sentimentos, acho que a lição que traz é importante.

“Eu Quero Você, Papai!”

Eu havia voltado de uma pequena viagem e notei que Roberto, meu filho de seis anos, estava com muita vontade de estar comigo – de sentir-me perto.

Apareceu no meu escritório e assentou-se à minha frente para fazer alguns desenhos, enquanto eu trabalhava (ele desenha muito bem, modéstia à parte).

Ele não atrapalhava meu trabalho e logo absorvi-me totalmente no acúmulo de serviço. Tanto é, que não percebi quando ele saiu de seu lugar e tomou uma posição atrás de mim onde parou para tentar descobrir um jeito de subir nas minhas costas.

Por fim, conseguiu deitar-se sobre os meus ombros. Eu ainda ocupado com os afazeres, continuei escrevendo, naturalmente com alguma dificuldade. Deve ter sido uma cena engraçada para quem passasse e olhasse pela porta aberta.

Daí, saímos para almoçar e depois fui para casa, para esticar as pernas e descansar na minha poltrona reclinável. Robertinho ficou lá fora brincando.

Não passaram muitos minutos, e ele chegou de novo. Perguntei-lhe, “ O que você quer?” Ele não respondeu, mas começou a subir em mim novamente. Perguntei outra vez, “O que você quer?”

Ele disse, “Eu quero você”.  A essa altura ele já estava se acomodando no meu colo, e eu disse: “Mas por quê?” Ao que ele respondeu: “Nada, eu só quero estar com você, papai.”

Não queria conversar, não pediu coisa alguma. Não exigiu que eu prestasse atenção nele, nem que deixasse de ler minha revista. Só queria estar juntinho a mim, acompanhando-me em minha atividade ou mesmo enquanto não tinha atividade. Queria sentir o conforto e a segurança de estar em minha presença.

Nosso Pai Celeste e Outros Deuses que se Formam Por Aí

Quantos de nós conhecemos a Deus como Pai? É verdade que somos seus filhos, mas será que somos suficientemente crianças para ficar na sua presença sem pedir nada, sem sentir que estamos cumprindo urna obrigação, sem dizer nenhuma palavra?

Fico impressionado ao ouvir o que as pessoas dizem acerca de Deus – às vezes ouço conceitos que fazem de Deus um monstro. Por exemplo, existe o deus-policial. É aquele formado na mente das crianças cujos pais dizem, “Não faça isso ou Deus vai castigar você”.

Há também, o deus-contador – aquele que fica lá do céu olhando e anotando tudo que os homens fazem – somando o bem que a pessoa pratica, deduzindo o mal para ver se tem um saldo positivo que mereça um favor divino.

Há o deus-proteção que nada deixa acontecer -deus-babá, responsável por evitar qualquer arranhão. Existe ainda o deus-esquizofrênico, que sofre de uma luta íntima entre justiça e amor – um deus dividido contra si.

Falamos Pouco Acerca de Deus – Até Mesmo na Igreja

Seria bom cada pastor examinar os tópicos de seus sermões nos últimos meses para ver quantas vezes apresentou um assunto que revelasse alguma coisa sobre o caráter de Deus. Quando pregou sobre os atributos de Deus pela última vez?

Nossa tendência é ver o lado humano de cada história bíblica. Por exemplo, quando pensamos na história do filho pródigo, para nós o personagem principal é o jovem rebelde, quando na realidade Jesus estava revelando o caráter do Pai.

E quantas vezes oramos dizendo “Querido Jesus”, quando Jesus ensinou os discípulos a orar dizendo: “Pai nosso”.

É importante, urgente mesmo, que recapturemos o conceito de Deus-pai – o santo Pai celestial que nos ama e somente permite acontecer o que é melhor para nós.

O Filho Vive em Função do Pai

José e Maria passaram por angustiantes momentos ao descobrir que o menino Jesus havia permanecido em Jerusalém enquanto eles prosseguiam para Nazaré. Voltando à grande cidade e encontrando Jesus no meio dos fariseus, eles o repreenderam.

Jesus, porém, respondeu: “Não sabíeis que me cumpria estar na casa de meu Pai?” Mais tarde ele afirmou: “Nada faço de mim mesmo; mas falo como o Pai me ensinou.”

Se conhecêssemos a Deus como pai, provavelmente nos preocuparíamos em fazer apenas o que ele quer.

Deus é: espírito, eterno, amor, santo, onipotente, onisciente, onipresente, soberano, misericordioso – entre outras coisas mais – mas existe uma só palavra que serve para dizer como Deus é – Pai.

Quando percebi o que significo para meu filho e o que ele significa para mim, entendi que eu, como filho, posso dar alegria a meu Pai celestial. Pretendo dedicar mais tempo buscando uma maior compreensão do que significa ser “pai”. E pretendo dar-lhe alegria de ter um filho que não requer nada dele, a não ser o privilégio de estar na sua presença. Tenho a impressão de que nós dois vamos gostar.

Fonte: Mensagem da Cruz, 1977, Editora Betânia

Autor: George Foster

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